Quarta-feira, dia 20 de Abril, marcou os 8 anos de namoro com a Sandra, infelizmente nem sequer tive com ela nesse dia. A partir deste ano vai marcar também o meu internamento na unidade de pneumologia do Hospital de Faro. Começo já por dizer que já tive alta, no worries, por esta altura estou em casa a recuperar bastante bem!
Tive um pneumotórax espontâneo! Na tarde de dia 20 estava numa reunião de trabalho e durante a mesma começou-me a doer o lado esquerdo do peito, sem qualquer causa aparente, começou apenas a doer. Depois de sair da reunião sempre que falava ou ria, dava-me uma vontade incontrolável de tossir, junto com dores e alguma dificuldade em respirar. Ainda ia dar uma sessão de três horas até às 21h, mas uma colega substituiu-me e “obrigou-me” a ir ao hospital. Dei entrada um pouco antes das 18h, puseram-me uma pulseira azul e cerca de hora e meia depois, fui chamado e atendido por um médico espanhol. Fiz um raio-x ao tórax e esperei mais 20 minutos, fui chamado de novo e desta vez estava um médico com traços asiáticos à minha espera (não tenho qualquer problema com médicos estrangeiros, mas fico triste porque todos sabemos os motivos que levam ao facto de termos poucos médicos portugueses).
A conversa foi algo deste género:
- “Você tem ar na pleura e vai ter de ficar internado alguns dias para lhe tirarmos esse ar.”
- “Internado? Está a falar a sério? Não me dá jeito nenhum..”
- “O jovem não está a acreditar? Está a ver esta área branca no seu pulmão esquerdo? Compare os dois pulmões…”
- “Ok, então mas como se vai proceder? Tenho de ficar já?”
- “Claro, vamos fazer-lhe um pequeno corte e colocar um tubo entre as costelas para o ar sair!”
Enquanto no meu cérebro passava um WTF! gigante em rodapé, fui levado para uma maca, pediram-me para trocar de roupa pelo “pijama” do hospital e aguardar quieto… Entretanto lembrei-me que estava lá completamente sozinho e tinha de avisar as pessoas, para ajudar, e como costuma ser normal, o GalaxyS estava quase sem bateria. Stress!
Não me consegui preocupar durante muito tempo, o pneumologista estava de volta, com um enfermeiro e um caloiro que ia observar o procedimento. Levei anestesia e 15 minutos depois estava despachado, com um tubo enfiado entre duas costelas e um “bobby” (a caixa com selo de água à qual o dreno está ligado). Fui logo de seguida transferido do hospital central para a unidade de pneumologia. Fui bastante bem recebido, é uma unidade que nada tem a ver com o hospital, tem pouca gente internada, pouco barulho, e funcionários suficientes por doente, ou pelo menos foi a ideia com que fiquei. Já era tarde, foi chegar e adormecer.

Os próximos dois dias foram idênticos, raio-x pela manhã para ver a evolução, algumas visitas entre as 13h e as 20h (um muito obrigado a todos os que me foram ver e dar força), comida sem condimentos e muitas dores na zona onde estava colocado o dreno. Na sexta-feira à noite e contra o esperado (feriado!) o pneumologista de prevenção apareceu para dar uma olhadela ao raio-x, porque a minha recuperação estava a ser muito boa. Concluiu que a enfermeira podia “clampar” o dreno. Essa noite foi complicada, as pinças utilizadas para fechar o tubo são pesadas e.. dói.
Mas no sábado as notícias foram as melhores! A seguir ao almoço fiz um raio-x, para ver como tinha sido a reacção ao fecho do circuito e à noite o mesmo pneumologista foi analisar a evolução. Como estava tudo de acordo com o previsto, retirou o dreno, algo que custou muito menos do que aquilo que estava à espera. Para além disso deixou logo a papelada toda pronta para a minha alta no dia seguinte, caso a reacção fosse boa. E assim foi, na manhã de domingo tive alta e voltei para casa, sem grandes dores e apenas com um penso enorme como recordação.
O médico passou-me uma semana de baixa (dias sem receber, para mim que estou a recibos verdes) durante a qual devo estar em pleno repouso, mas a realidade é que já me sinto bastante bem. Estou a cumprir com o requisitado, mas já aborrecido com as férias forçadas.
Para a história fica o susto que preguei ao pessoal, a coincidência dos momentos chave (fui entubado durante o decorrer do Benfica x Porto e desentubado durante o Benfica x Paços de Ferreira) e o azar das limitações nos próximos meses (não vou poder voar para a África do Sul em Maio).