E aconteceu. Já tinha ido à consulta de cirurgia torácica ao Hospital Pulido Valente e aguardava em lista de espera a operação, mas na madrugada de 14 de Setembro comecei a sentir mais uma vez os sintomas já habituais, deu-se o terceiro pneumotórax. Fui para as urgências do Hospital de Faro, esperei algumas horas que aparecesse um pneumologista (curiosamente, o que me estava a seguir) e fui mais uma vez entubado.
Na consulta que tive fui informado que, caso tivesse outro episódio, o Hospital de Faro devia entrar em contacto com o Pulido Valente para ser transferido. Não foi fácil estabelecer essa comunicação, digamos que foi necessário alguém do Pulido Valente entrar em contacto para as coisas mexerem. Segui no próprio dia para Lisboa, naquela que foi a pior viagem de sempre, 3 horas de sofrimento constante, mas poupo os pormenores.

Fui sujeito à intervenção cirúrgica no dia seguinte, pouco intrusiva, através de toracoscopia. Felizmente correu tudo bem, acordei no recobro depois da anestesia geral, parecia saído de um filme: com o tubo da drenagem torácica, tubo da epidural, dois acessos com vários tubos (soro, antibiótico, analgésico), sonda vesical e cateter nasal para oxigénio. Uma festa que durou apenas um dia e pouco (recobro e cuidados intermédios), a recuperação foi rápida e no dia 17 já estava na enfermaria sem grandes cuidados extra. Comecei então a fazer fisioterapia respiratória diariamente (tenho de continuar a fazer durante uns tempos para o pulmão esquerdo recuperar na totalidade) e na tarde do dia 19 tive alta do internamento.
Alguém, finalmente, me deu uma suposta explicação para o surgimento deste problema espontaneamente em jovens do sexo masculino, saudáveis e altos. Existe uma hipótese, que um dos médicos que me operou defende, relacionando tudo com o comprimento do tórax. Por norma é um problema que ocorre em pessoas altas, porque são aquelas que têm o tórax mais comprido. E, se, devido à maior extensão existe um problema em irrigar as zonas mais elevadas do pulmão, poderá suceder a necrose de alguns alvéolos. Essa necrose poderá (já deu para ver que é tudo subjectivo) levar à libertação de uma ou mais microscópicas bolhas de oxigénio que se vão fixar na pleura visceral. Se algo provocar o rebentamento dessa(s) bolha(s), dá-se uma ferida na pleura visceral e passa ar para o espaço interpleural, dando-se então o pneumotórax.
Daí a operação passar por raspar certas partes da pleura (as secções previamente fragilizadas ou zonas com bolhas) e efectuar pleurodese, que promove a obliteração da cavidade pleural e junta as pleuras visceral e parietal. No meu caso foi feita por abrasão e as pleuras estão a unir-se enquanto cicatrizam, embora também possa ser feita quimicamente.
Se não há espaço interpleural, não há pneumotórax! Parece e é eficiente, a probabilidade de voltar a ter um episódio do lado esquerdo é de cerca de 2 a 5%. Por outro lado, a probabilidade de ter o primeiro episódio do lado direito atinge os 15%. O médico deu-me uma razão lógica: os pulmões são assimétricos. Se tal acontecer, sou logo sujeito à mesma operação.
Agora é um mês seguido de férias forçadas, como todas este ano.









