(Arquivo para Pessoal)


21
Sep 11

Pneumotórax: 3rd Strike

E aconteceu. Já tinha ido à consulta de cirurgia torácica ao Hospital Pulido Valente e aguardava em lista de espera a operação, mas na madrugada de 14 de Setembro comecei a sentir mais uma vez os sintomas já habituais, deu-se o terceiro pneumotórax. Fui para as urgências do Hospital de Faro, esperei algumas horas que aparecesse um pneumologista (curiosamente, o que me estava a seguir) e fui mais uma vez entubado.

Na consulta que tive fui informado que, caso tivesse outro episódio, o Hospital de Faro devia entrar em contacto com o Pulido Valente para ser transferido. Não foi fácil estabelecer essa comunicação, digamos que foi necessário alguém do Pulido Valente entrar em contacto para as coisas mexerem. Segui no próprio dia para Lisboa, naquela que foi a pior viagem de sempre, 3 horas de sofrimento constante, mas poupo os pormenores.

Fui sujeito à intervenção cirúrgica no dia seguinte, pouco intrusiva, através de toracoscopia. Felizmente correu tudo bem, acordei no recobro depois da anestesia geral, parecia saído de um filme: com o tubo da drenagem torácica, tubo da epidural, dois acessos com vários tubos (soro, antibiótico, analgésico), sonda vesical e cateter nasal para oxigénio. Uma festa que durou apenas um dia e pouco (recobro e cuidados intermédios), a recuperação foi rápida e no dia 17 já estava na enfermaria sem grandes cuidados extra. Comecei então a fazer fisioterapia respiratória diariamente (tenho de continuar a fazer durante uns tempos para o pulmão esquerdo recuperar na totalidade) e na tarde do dia 19 tive alta do internamento.

Alguém, finalmente, me deu uma suposta explicação para o surgimento deste problema espontaneamente em jovens do sexo masculino, saudáveis e altos. Existe uma hipótese, que um dos médicos que me operou defende, relacionando tudo com o comprimento do tórax. Por norma é um problema que ocorre em pessoas altas, porque são aquelas que têm o tórax mais comprido. E, se, devido à maior extensão existe um problema em irrigar as zonas mais elevadas do pulmão, poderá suceder a necrose de alguns alvéolos. Essa necrose poderá (já deu para ver que é tudo subjectivo) levar à libertação de uma ou mais microscópicas bolhas de oxigénio que se vão fixar na pleura visceral. Se algo provocar o rebentamento dessa(s) bolha(s), dá-se uma ferida na pleura visceral e passa ar para o espaço interpleural, dando-se então o pneumotórax.

Daí a operação passar por raspar certas partes da pleura (as secções previamente fragilizadas ou zonas com bolhas) e efectuar pleurodese, que promove a obliteração da cavidade pleural e junta as pleuras visceral e parietal. No meu caso foi feita por abrasão e as pleuras estão a unir-se enquanto cicatrizam, embora também possa ser feita quimicamente.

Se não há espaço interpleural, não há pneumotórax! Parece e é eficiente, a probabilidade de voltar a ter um episódio do lado esquerdo é de cerca de 2 a 5%. Por outro lado, a probabilidade de ter o primeiro episódio do lado direito atinge os 15%. O médico deu-me uma razão lógica: os pulmões são assimétricos. Se tal acontecer, sou logo sujeito à mesma operação.

Agora é um mês seguido de férias forçadas, como todas este ano.



15
Aug 11

O Regresso do Entubado

Foi já durante a madrugada da passada Segunda-feira, dia 8 de Agosto, que voltei a sentir os sintomas de um pneumotórax espontâneo: dificuldade em respirar, dor no lado do pulmão que colapsado e muita tosse quando tentava falar. E o que estava a fazer de especial? Mais uma vez, nada. Tinha acabado de sair de um bar ao ar livre com amigos, onde tivemos a beber caipirinhas e conversar um bocado.

Já conhecendo os sintomas, comecei logo a entrar de certa forma em pânico, mais uma semana entubado, mais uma semana com dores e um tubo enfiado nas costelas. Fiquei tão nervoso que tive direito a um pequeno desmaio quando cheguei a casa, o que eu faço para pedir atenção, um completo attention whore. Ainda fiquei em casa alguns minutos, mas uma vez que conhecia os sintomas convenci facilmente os meus pais a levarem-me para as urgências. Às 3 e tal da manhã não havia quase ninguém nas urgências do Hospital de Faro, foi chegar e ser diagnosticado. O raio-x revelou o esperado pneumotórax, bastante grande por sinal, e fui entubado de seguida… Been there, done that.

Confesso que a semana desta vez custou mais a passar, o corte foi um bocado mais mal amanhado e ficou um pouco largo, andei cheio de dores e a ensopar compressas de sangue até ao dia em que me tiraram o tubo, mas já passou. Tive alta do internamento na passada Sexta-feira, dia 12.

Uma vez que se trata de uma situação um pouco fora do vulgar, ter dois episódios destes em quatro meses, vou ser visto no Pulido Valente para uma potencial operação. Ainda não sei bem o objectivo, mas acho que passa por, após detectada a zona da pleura fragilizada, “raspar” essa zona e voltar a “colar” ao pulmão. Parece agradável.



27
Apr 11

Pneumocoisas

Quarta-feira, dia 20 de Abril, marcou os 8 anos de namoro com a Sandra, infelizmente nem sequer tive com ela nesse dia. A partir deste ano vai marcar também o meu internamento na unidade de pneumologia do Hospital de Faro. Começo já por dizer que já tive alta, no worries, por esta altura estou em casa a recuperar bastante bem!

Tive um pneumotórax espontâneo! Na tarde de dia 20 estava numa reunião de trabalho e durante a mesma começou-me a doer o lado esquerdo do peito, sem qualquer causa aparente, começou apenas a doer. Depois de sair da reunião sempre que falava ou ria, dava-me uma vontade incontrolável de tossir, junto com dores e alguma dificuldade em respirar. Ainda ia dar uma sessão de três horas até às 21h, mas uma colega substituiu-me e “obrigou-me” a ir ao hospital. Dei entrada um pouco antes das 18h, puseram-me uma pulseira azul e cerca de hora e meia depois, fui chamado e atendido por um médico espanhol. Fiz um raio-x ao tórax e esperei mais 20 minutos, fui chamado de novo e desta vez estava um médico com traços asiáticos à minha espera (não tenho qualquer problema com médicos estrangeiros, mas fico triste porque todos sabemos os motivos que levam ao facto de termos poucos médicos portugueses).

A conversa foi algo deste género:

- “Você tem ar na pleura e vai ter de ficar internado alguns dias para lhe tirarmos esse ar.”
- “Internado? Está a falar a sério? Não me dá jeito nenhum..”
- “O jovem não está a acreditar? Está a ver esta área branca no seu pulmão esquerdo? Compare os dois pulmões…”
- “Ok, então mas como se vai proceder? Tenho de ficar já?”
- “Claro, vamos fazer-lhe um pequeno corte e colocar um tubo entre as costelas para o ar sair!”

Enquanto no meu cérebro passava um WTF! gigante em rodapé, fui levado para uma maca, pediram-me para trocar de roupa pelo “pijama” do hospital e aguardar quieto… Entretanto lembrei-me que estava lá completamente sozinho e tinha de avisar as pessoas, para ajudar, e como costuma ser normal, o GalaxyS estava quase sem bateria. Stress!

Não me consegui preocupar durante muito tempo, o pneumologista estava de volta, com um enfermeiro e um caloiro que ia observar o procedimento. Levei anestesia e 15 minutos depois estava despachado, com um tubo enfiado entre duas costelas e um “bobby” (a caixa com selo de água à qual o dreno está ligado). Fui logo de seguida transferido do hospital central para a unidade de pneumologia. Fui bastante bem recebido, é uma unidade que nada tem a ver com o hospital, tem pouca gente internada, pouco barulho, e funcionários suficientes por doente, ou pelo menos foi a ideia com que fiquei. Já era tarde, foi chegar e adormecer.

Internado

Os próximos dois dias foram idênticos, raio-x pela manhã para ver a evolução, algumas visitas entre as 13h e as 20h (um muito obrigado a todos os que me foram ver e dar força), comida sem condimentos e muitas dores na zona onde estava colocado o dreno. Na sexta-feira à noite e contra o esperado (feriado!) o pneumologista de prevenção apareceu para dar uma olhadela ao raio-x, porque a minha recuperação estava a ser muito boa. Concluiu que a enfermeira podia “clampar” o dreno. Essa noite foi complicada, as pinças utilizadas para fechar o tubo são pesadas e.. dói.

Mas no sábado as notícias foram as melhores! A seguir ao almoço fiz um raio-x, para ver como tinha sido a reacção ao fecho do circuito e à noite o mesmo pneumologista foi analisar a evolução. Como estava tudo de acordo com o previsto, retirou o dreno, algo que custou muito menos do que aquilo que estava à espera. Para além disso deixou logo a papelada toda pronta para a minha alta no dia seguinte, caso a reacção fosse boa. E assim foi, na manhã de domingo tive alta e voltei para casa, sem grandes dores e apenas com um penso enorme como recordação.

O médico passou-me uma semana de baixa (dias sem receber, para mim que estou a recibos verdes) durante a qual devo estar em pleno repouso, mas a realidade é que já me sinto bastante bem. Estou a cumprir com o requisitado, mas já aborrecido com as férias forçadas.

Para a história fica o susto que preguei ao pessoal, a coincidência dos momentos chave (fui entubado durante o decorrer do Benfica x Porto e desentubado durante o Benfica x Paços de Ferreira) e o azar das limitações nos próximos meses (não vou poder voar para a África do Sul em Maio).



7
Feb 11

Uma história de há 26 anos

Era uma noite agradável de Maio, estávamos em 1984 e já havia televisão. No entanto os meus pais não se deixaram ludibriar pelas medidas profiláticas da altura e eu, espermatozóide discípulo de Chuck Norris, cumpri com a minha parte.

A história que passo a contar ocorreu nove meses depois, naquele que se pode considerar o mês durante o qual nascem as pessoas mais bonitas do nosso planeta. Isso mesmo, era uma manhã especialmente quente para um Fevereiro que se previa chuvoso e mal humorado. Durante a referida manhã surgiu um arco-íris, dos maiores alguma vez registados (sim, porque existe uma entidade que trata disso) e a minha avó chamou à atenção para a barriga da minha mãe, que, qual bússola, apontava para esse brilhante arco de espectro colorido. Ela reconheceu imediatamente o sinal, estava na altura de seguir o arco, o Menino estava prestes a nascer!

A notícia correu rapidamente, tão rápido que os meus tios colocaram-se logo a caminho, cada um com a sua prenda mais valiosa: um saco de laranjas gradas, um paposseco cozido nessa madrugada e, aquela que se viria a tornar na prenda chave para o crescimento saudável e molde da personalidade da Criança, um par de estalos, por estrear!

Orientados pelo místico arco-íris, chegaram ao seu final mesmo a tempo de presenciar O momento pelo qual todos ansiavam. Curiosamente, Faro tornou-se o destino, e no final desse fenómeno meteorológico baseado na refracção da luz, a minha mãe encontrou o tão procurado pote da riqueza infinita, o qual apenas continha um interruptor. Obviamente indignada, não hesitou e carregou no protuberante botão encarnado! O que se passou a seguir foi indescritível, por isso, tentando não exagerar nem perder nenhum detalhe, passo a citar o relato: «Do céu desceu um unicórnio alado cor-de-rosa cuja cauda mais parecia um caleidoscópio e que no seu corno de marfim carregava uma fralda de seda que continha no interior uma roliça figura que chorava em tom melódico.»

A minha mãe não cabia em si de contente e gritou a pleno pulmões: “In your face bitches! Cegonha é coisa de pobre!” E foi assim que aconteceu…



31
Dec 10

O meu dois mil e dez

Leio pelo Twitter e pelo Facebook que o ano que agora finda foi, consensualmente, uma merda. Eu tenho de discordar, talvez tenha sido a tal excepção à regra, a realidade é que tive um 2010 que me deu bastantes motivos para sorrir. Numa conjuntura económica bastante desfavorável, comecei no mês de Fevereiro a trabalhar na Escola Secundária de Loulé com contrato até ao fim do ano lectivo. Aproveitei o mês de Agosto inteiro para torrar no sol algarvio e em Setembro comecei a dar formação num Centro de Novas Oportunidades do IEFP e por lá espero continuar.

A nível profissional vou-me sentindo realizado q.b. e quando olho para os números do desemprego e para o pessoal que acabou o curso na mesma altura que eu, tenho noção que não me posso queixar. Não obstante, em 2011 terei obrigatoriamente de pensar na inscrição num Mestrado, terminar a certificação ECDL e quiçá apostar em formação na área onde me encontro actualmente.

let it snow

No que toca à fotografia confesso que está um pouco em stand-by em termos de evolução e aprendizagem, embora tenham existido momentos altos, como a cobertura do Festival MED, no geral andei bastante desleixado, até mesmo na actualização da minha conta do Flickr.

Por falar em andar desleixado, ou sem muito tempo livre, como preferirem depreender, este weblog tem sofrido bastante, mas ainda não está morto-vivo! E continuará a ser actualizado sem ritmo certo.

No contexto pessoal também não tenho muito por onde me queixar, a saúde tem estado em alta e a família também. Agora falta o tal passo em frente, esse mesmo, sair de casa dos pais. Será em 2011 o início desse projecto? A ver vamos. Neste ano que chega ao fim só faltaram as férias num sítio longínquo, mas está tudo orientado para isso ser compensado, espero no mês de Maio actualizar o weblog directamente da África do Sul.

A nível cultural considero que o filme do ano foi indiscutivelmente o brilhante Inception, de Christopher Nolan. Álbum de 2010 é mais complicado, mas depois de ponderar terá de ser My Beautiful Dark Twisted Fantasy, do mal amado, mas não menos genial, Kanye West.

E mais resoluções para 2011?

- Perder 5 kg.
- Voltar a ler ao ritmo habitual.
- Optimizar gastos.
- Controlar o cinismo.
- Ir a pelo menos um festival de Verão.
- Comprar um carro novo.



28
Oct 10

“Como é que tens tempo para tudo?”

A resposta é simples, não tenho.



2
Sep 10

Meu querido mês de Agosto

Era necessário recuar até ao ano 2000 para recordar a sensação que era ter férias no mês de Agosto. O pessoal de fora pensa sempre “vocês algarvios podem aproveitar quando quiserem por isso deixem-nos lá gozar do vosso sol enquanto nos dá jeito” mas a realidade é que é muito raro empresas da região permitirem férias entre Junho e Outubro, e quem está de férias escolares quer aproveitar a sazonalidade para fazer uns trocos.

Este ano voltei a ser um felizardo e consegui aproveitar devidamente, conseguindo aquele que é o meu melhor bronze de sempre. Por um lado é bom poder aproveitar este mês, por outro, Agosto acaba por ser muito injusto, porque a confusão é tanta que às vezes só apetece não sair de casa. Há filas na estrada, não há estacionamento em lado nenhum, os restaurantes e os bares estão cheios, tal como os centros comerciais.

Por isso talvez só venha a ter outro mês de Agosto de férias daqui a mais dez anos, a não ser que seja obrigado (se estiver novamente a leccionar por exemplo, não há grande hipótese). O ideal é mesmo tirar férias na segunda quinzena de Julho e na primeira de Setembro.

Agosto

Eu cá vou sobrevivendo, com dificuldade, a esta enorme problemática.



24
Aug 10

Afinal havia outra

Andava-me eu a queixar do encerramento temporário dos estágios profissionais e afinal foi isso que me valeu a minha nova actividade. Com alguma engenharia social pelo meio, tenho a quem agradecer por ter entregue o meu CV, mas a sorte é mesmo assim e favorece quem se mexe.



22
Jul 10

Educação e Formação de Adultos

Há seis meses atrás embarquei numa aventura inesperada, candidatei-me e fui colocado numa vaga do grupo de recrutamento 510 de uma escola secundária. O lugar em causa destinava-se a um professor/formador para um curso de Educação e Formação de Adultos de nível secundário, tendo como objectivo leccionar a disciplina de Sociedade, Tecnologia e Ciência.

As aulas já terminaram, acompanhei o crescimento de uma turma recém agregada, e posso dizer que foi uma experiência realmente enriquecedora. Não é treta quando se diz que os adultos nestes cursos querem aprender, acho que têm muito mais vontade e iniciativa do que os jovens, isto falando pela maioria. Claro que podia falar aqui de tudo o que está mal planeado neste género de cursos e como os critérios estão longe de ser justos para todos os alunos, mas não o vou fazer. Na minha opinião, e depois de me ter cruzado com esta turma, não tenho a mínima dúvida que os prós desta iniciativa ultrapassavam, por uma larga margem, os contras.

Agora vou apostar (ou estou a tentar) em algo diferente, mesmo na minha área. Mas se no futuro voltar a surgir a oportunidade, não hesitarei.



13
Jul 10

O título deste post era outro

E o texto também, mas esperei uns dias para me acalmar.

Não acredito na sorte e no azar, acredito na chance e na probabilidade. Mesmo assim só me apetece gritar QUE **** DE SORTE! Resumindo a história, estou há vários meses a tentar arranjar estágio profissional, tal como grande parte dos recém-licenciados deste país. Tinha finalmente encontrado uma empresa aqui na região onde efectuar o dito estágio, o que não é nada fácil na minha área de formação.

Quando fomos dar início ao processo de candidatura a mesma não foi aceite, e porquê? Porque os estágio de nível V do IEFP estão encerrados! Na actual conjuntura, com o desemprego crescente a atingir maioritariamente a faixa etária mais jovem e os recém-licenciados, o governo teve esta feliz ideia. Eram 12 meses de experiência efectiva, eram 12 meses de um ordenado bastante decente. Eram.

Como seria de esperar, ninguém no IEFP me soube dizer se as candidaturas vão reabrir e, em caso afirmativo, quando. Dava jeito para decidir o meu futuro, porque se fico a contrato na empresa em questão passo a ter vínculo com a mesma, o que me impede de estagiar lá, e se tiver mais que X meses perco o direito ao estágio profissional.

E já agora, para os interessados fica a informação extra de que as medidas para estágio nível V INOV-Jovem e INOV-Social também já eram