Fui ver Watchmen no dia da sua estreia nacional. Não li a banda desenhada (ou novela gráfica ou como lhe quiserem chamar) e não tinha grande ideia de como iria ser o filme, tirando as noções leves retiradas do trailer. Pela Internet fora falava-se na obra mais fielmente transposta, de todo o sempre, para o grande ecrã.
O inicio do filme é um dos seus melhores momentos, somos introduzidos a um passado alternativo, com muitas das memórias normais misturadas com acontecimentos paralelos… O assassinato de John F. Kennedy, a chegada à lua e a pop art de Andy Warhol são apenas alguns dos exemplos. O desenrolar acaba por ser um pouco lento em alguns momentos, mas felizmente o Rorschach (Jackie Earle Haley) está lá para mantermos o interesse, aliás, ele está lá para roubar o brilho ao Dr. Manhattan (I made a joke), porque Watchmen acaba por ser sinónimo de Rorschach.

Temos um filme bastante denso no que toca a conteúdo, com uma história muito interessante, sem nenhum vilão em especial, sem ser o próprio ser humano. Os super-heróis são retratados como pessoas normais, com tanto de bom como de perverso, cada um com a sua própria visão do mundo. Visualmente também podemos contar com um filme muito acima da média, com um ambiente muito grunge, com bons efeitos especiais e com sequências de luta irrepreensíveis.
Mas Watchmen tem vários pontos que a mim, como simples apreciador de cinema e não fanboy da obra, me deixam de pé atrás… É utilizado gore em excesso, demasiado explícito e por vezes desnecessário, em situações onde não acrescenta nada ao filme. A banda sonora, tão boa mas com alguns enquadramentos simplesmente absurdos, parece-me o canal (mal) escolhido para o comic relief. Aquela cena de sexo softcore ao som do Hallelujah de Leonard Cohen, só dá mesmo para rir.
O final, é um anti-climax do caraças. Não é mau, é bastante interessante do ponto de vista ideológico, mas acaba por ser insípido tendo em conta o desenrolar da acção…
Já agora deixo aqui uma dica aos responsáveis pelo CGI por detrás do Dr. Manhattan. Para a próxima prestem mais atenção aos frames da boca (e ao sincronismo da mesma com o som) do que aos detalhes da piroca massiva do senhor.












