(Arquivo para Cinema)


29
Jul 10

Inception

Inception

De vez em quando aparecem filmes cujo argumento mantém-se no pensamento da pessoas dias ou até semanas após o seu visionamento. Inception, é uma dessas brilhantes obras, vinda da mente do não menos brilhante Christopher Nolan, o homem que em meia dúzia de filmes dirigidos e realizados tem meia dúzia de obras primas.

O filme tem como tema os sonhos, e a capacidade de roubar ou implantar informação durante esses mesmos sonhos. Como actor principal temos Leonardo DiCaprio, com uma prestação boa mas longe de ser o único a brilhar, uma vez que toda o elenco é de luxo: Joseph Gordon-Levitt (yap, o miúdo do 500 Days of Summer), Ellen Page (yap, a miúda do Juno), Marion Cotillard, Tom Hardy e Ken Watanabe.

Podia falar também da excelente banda sonora, mas nem vou perder tempo com isso, vou passar ao mais importante, o argumento. Este é possivelmente o melhor argumento original que o cinema já viu após o The Matrix, ou seja, desde há aproximadamente 11 anos. Complexo, com várias camadas de profundidade, daqueles filmes que têm de ser vistos pelo menos duas vezes para não escapar nada. Proporciona daquelas dores de cabeça positivas, 148 minutos de informação non-stop a ser digerida e processada. Na minha terra denomina-se de mindfuck movie.

Inception é demasiado hollywoodesco para ser indy e demasiado inteligente para um blockbuster de verão (arrasa por completo com as normas de brainless action, sim, esta foi para ti Michael Bay). Christopher Nolan criou aquele que será o ponto de comparação a nível de ficção cientifica nesta década (tal como Blade Runner marcou os anos 80).

S P O I L E R S
(a partir daqui o texto contém dados sobre o argumento)

O final do filme foi deixado em aberto com o objectivo de nos deixar a sonhar sobre toda a informação disponibilizada. Inicialmente saí do cinema a pensar que o movimento do pião no final não foi tão perfeito como das outras vezes que ele o colocou a rodar, transmitindo a ideia de que acabaria por cair, ou seja, que Cobb se encontrava na realidade.

Depois comecei a pensar que algo me estava a falhar no que toca aos níveis e ao limbo, porque havia situações em que alguns personagens saiam do limbo e passavam para o nível anterior e outros ao morrer passavam automaticamente para a realidade, o que acabava por ser contraditório. Sendo assim o Cobb estaria ainda no nível anterior ao limbo e a Mal estaria na realidade. Mas, depois pus-me a pensar e a Mal se estivesse na realidade teria arranjado forma de, ou voltar a ir ter com o Cobb no seu sonho (não como projecções em vários níveis, obviamente) ou de lhe dar um “empurrão”.

Seguidamente lembrei-me que o totem do pião era o totem da Mal, ou seja, o Cobb tinha outro totem, que não nos foi mostrado. Porque aquele totem já era sobejamente reconhecido e podia ser facilmente forjado, e ele explicou no próprio filme que o totem devia ser único e apenas conhecido pelo dono. Foi então que dei de caras com esta teoria muito bem pensada e que mostra qual poderá ser o verdadeiro totem do Cobb.

Até ver o filme outra vez, acho que vou aceitar esta última como a real. Embora continue a não ter muita lógica aquela cena final, onde as crianças têm exactamente a mesma idade e roupa que nas recordações e onde não está presente a avó. Por outro lado o avô que estava em Paris, voou para os EUA para o receber? Não faz muito sentido, só num sonho.

Já agora partilho aqui esta dissecação de Inception, com 6 interpretações bem interessantes do final e 5 hipotéticas falhas do guião.

Estejam à vontade para partilhar as vossas teorias nos comentários, mas sempre que o fizerem coloquem uma referência à existência de spoilers.



21
May 10

Robin Hood

O regresso da galardoada dupla Riddley Scott e Russell Crowe com uma das histórias medievais mais mediáticas de todos os tempos, Robin Hood, fica muito aquém das expectativas. Entro logo assim a pés juntos porque fiquei decepcionado e agora, muita atenção, porque se seguem spoilers!

Robin Hood

Ao contrário do esperado, a história é basicamente uma prequela do Príncipe dos Ladrões. E ao longo de todo o filme só por um ou dois momentos Robin Longstride é tratado como Robin of the Hood. Temos a primeira hora e meia de filme com um desenvolvimento lento mas interessante, não obstante as várias facadas na história original (como exemplo: o João Pequeno junta-se ao bando depois de lutar com Robin sobre uma ponte, isto é quase cultura geral), e uma segunda parte apressada e por várias vezes a roçar o ridículo.

O arqui-inimigo Xerife de Nottingham aparece em meia dúzia de cenas, todas elas sem grande interesse para o desenvolvimento da história, e é substituído como rival por um inglês comedor de ostras que conspira a favor do Rei Filipe de França.

Para mim, que tenho algum interesse por tudo o que é da altura medieval, aquela batalha final é candidata a batalha mais ridícula da história do cinema. Sempre ouvi dizer que o Riddley Scott é conhecido pela importância que dá aos detalhes e pela exactidão dos mesmos. Piada? Nem sei por onde começar… O desembarque das tropas francesas em landing crafts do século XII? Robin, um arqueiro, na frente de batalha com um martelo de cabo longo? Uma mulher a lutar com armadura, cota de malha e espada longa, junto com crianças sem qualquer tipo de protecção, a chacinar um exército treinado? Uma seta de penas molhada mas com o trajecto certinho? O gajo devia ser um físico e pêras! Para não falar da Magna Carta redigida por um pedreiro (pelos vistos na altura também havia licenciados na construção civil) e… queimada?

Viva ao Robin Hood: Men in Tights, quase que consegue ser mais sério!



23
Apr 10

Ass kicking awesomeness

Kick-Ass

O filme Kick-Ass é numa palavra, inesperado; e em várias, uma sucessão de eventos inesperados. O primeiro evento aconteceu mesmo fora do ecrã, estar numa sala completamente vazia no dia de estreia do filme! Tudo bem que o trailer não é nada de especial, mas o filme até teve bastante publicidade a nível nacional, não percebi muito bem o porquê de estarmos 4 pessoas na sessão das 21h25 (talvez por ser fim do mês?).

Kick-Ass é uma banda desenhada de Mark Millar, que retrata a vida de um adolescente como qualquer outro, invisível à sociedade, apenas mais um, que adora banda desenhada e decide, por isso, tentar ser um super-herói.

Kick-Ass

A história começa por parecer uma paródia aos diversos filmes de super-heróis, mas nunca o é, mesmo que a linha divisória seja bastante ténue. É sim uma mistura de uma visão muito realista – ah, então se calhar foi por isso que nunca ninguém se lembrou de ser super-herói nos tempos livres – com uma pitada de Watchmen e um cheirinho a Quentin Tarantino (eu não consigo olhar para Hit-Girl sem me lembrar da Gogo Yubari).

No que toca à actuação temos um cast bem escolhido, sem nenhum actor realmente fraquinho. O Nicolas Cage esteve, surpreendentemente, bem. Os dois adolescentes, Aaron Johnson e Christopher Mintz-Plasse (será para sempre o McLovin) estiveram acima da média e a actuação genial ficou a cargo da miúda de 13 anos, Chloe Moretz aka Hit-Girl.

Recomendo este filme a quem goste de uma boa comédia (quem tenha gostado do Hot Fuzz, por exemplo) e de banda desenhada. Já agora, e isto é um aviso para o portuguezinho normal de mentalidade tacanha, há que ter em atenção que uma adaptação de banda desenhada não significa que se trata de uma filme para crianças, estúpido… É Restricted (M/16 por cá).

“With no power comes no responsibility.”



30
Mar 10

Remember Me

Vocês chegam ao cinema, olham para o cartaz do Remember Me, vêem aquele gajo dos vampiros e dizem logo “não vou ver essa merda!”. Foi mais ou menos a minha reacção, mas era a vez dela escolher o filme.

Remember Me

Felizmente entrei na sala de cinema esta noite para ver tudo aquilo que não estava à espera. Um drama bem montado, poderoso e com um elevado grau de “realidade”. Há muita coisa que tomamos como garantida nesta vida e há muita coisa que fica por dizer e fazer, porque amanhã também é dia. A primeira cena do filme deixou-me com um sorriso nos lábios, não, não é porque sou sádico, simplesmente foi o click para perceber que não estava perante uma comédia romântica, que podia haver algum sumo para ser retirado deste filme. Acabei com o jarro cheio.

Se com isto consegui convencer alguém a ir ver o Remember Me, peço que o façam sem ler reviews, nem sequer ver o trailer. E já agora, que vão com baixas expectativas. Desta forma podem viver a mesma experiência que eu, e duvido que alguém se arrependa.

As relações dos personagens são o ponto mais forte do filme, toda a dinâmica entre os familiares e não só (não quero entrar em spoilers) desenvolve-se de forma tão real que podia ali estar qualquer um de nós, a ter o mesmo comportamento. O argumento pode-se desenvolver de forma lenta em certas partes, mas nunca fiquei com aquela sensação de “anda lá com isso”, encaixa bem no ambiente gerado.

Agora vou engolir o sapo e dizer que o Robert Pattinson foi deveras surpreendente, embora exagere um pouco na imagem ao estilo James Dean, tem uma performance irrepreensível. A Emilie de Ravin não lhe ficou nada atrás, não sigo a série Lost por isso não conhecia a pequena.

Por fim, se alguém for realmente ver o filme, gostava que DEPOIS dessem uma leitura às críticas dos “profissionais” no Rotten Tomatoes. Acho que muita gente não conseguiu ultrapassar o facto do moço dos vampiros ser o actor principal. 4.4 contra o 6.2 actual do IMDB é uma diferença grande, e ainda irá ser maior quando as pessoas virem efectivamente o filme. Quase 13% de pessoas a dar 1/10: é fácil de identificar um padrão de ódio.

Não gozem com alguém que come a sobremesa antes do prato principal.



16
Nov 09

(500) Days of Summer

Esta entrada no weblog vai estar dividida em duas partes. Esta é a primeira. Serve esta primeira parte para pedir o despedimento do funcionário da Castello Lopes responsável pelo filme (500) Days of Summer ser lançado directamente para DVD.

Estes últimos meses de cinema têm sido uma desgraça e muito se deve aos distribuidores e à sua falta de bom senso. O que raio faz o Step Up 2 nesta altura nos cinemas? O filme estreou nos EUA a 14 de Fevereiro de 2008 (sim, há mais de ano e meio)! O The Men Who Stare at Goats, que está na minha lista prioritária, estreou a semana passada nos EUA, quando é que o filme chega a Portugal? Ora, daqui a sensivelmente três meses, a 28 de Janeiro de 2010… Querem um reality check? Por essa altura já estarão disponíveis por essa Internet fora rips de DVD e Blu-ray.

Parte dois. É uma pena mas quem quiser ver este filme em Portugal nos próximos meses, vai ter de o fazer de forma ilegal. Não foi o meu caso, porque eu felizmente fui a Inglaterra só para o ver, pelas terras de Sua Majestade estreou em Setembro…

O realizador deste filme nunca quis enganar ninguém, desde o início que fica assente que não se trata de uma história de amor. Ou citando as taglines: “Boy meets girl. Boy falls in love. Girl doesn’t.” ; “This is not a love story. This is a story about love.”

E é isso mesmo, uma história sobre amor, que fala mais sobre amor do que todas as histórias “feliz para sempre” juntas. Isto é acima de tudo, uma história que podia ser a de qualquer pessoa, e que eu acredito, piamente, tratar-se de uma vivência real transposta por um dos guionistas. Aliás, a seguinte tirada logo na abertura – “The following is a work of fiction. Any resemblance to persons living or dead is purely coincidential. Especially you, Jenny Beckman. Bitch.” – dá o mote a essa ideia.

(500) Days of Summer tem vários aspectos refrescantes no que toca a romances. O decorrer da acção não é linear, os avanços e recuos na linha temporal da história encaixam perfeitamente, uma vez que não é suposto haver reviravoltas. Não há cá a fórmula «conhecem-se, apaixonam-se, separam-se, voltam a juntar-se e vivem felizes para sempre» isso é num dos milhentos filmes da sala ao lado. Aqui estão os altos e baixos de uma relação, a frustração de não saber o que o outro pensa, a separação e o seguir em frente; mas o mais importante é mesmo a forma como tudo isto nos é apresentado (há cenas deliciosas com o ecrã dividido, e não vou entrar em spoilers).

O duo por vezes romântico é de uma profundidade diferente do normal neste tipo de filmes, e de uma química que também deixa a milhas qualquer par deste tipo de filmes (Jennifer Anistons, Matthew McConaugheys, vizinhos e enteados). Para além disso ambos estão irrepreensíveis, consistentes ao longo de todo o filme: reais, tocantes, queridos; orgulhosos, complicados, humanos. Um casal como qualquer outro!

Not your average feel-good movie… Para mim é um dos melhores filmes deste ano.



31
Aug 09

Trailer – The Man Who Stare at Goats

The Man Who Stare at Goats deve ser um dos filmes com melhor elenco de sempre. Juntando o título, que para além de fantástico em inglês vai dar muito trabalho aos tradutores portugueses – O Homem que olha fixamente para Cabras – não me parece.



31
Aug 09

Adeus cinema de Vilamoura

Na década de 90 poucos eram os cinemas existentes no Algarve, menos ainda eram aqueles que conseguiam ter os filmes disponíveis na data de estreia. Aliás, vendo bem todas as variáveis possíveis (datas, qualidade de som, qualidade de imagem e conforto) só existia um cinema em condições, o Vilamouracine.

Foi lá que vi o meu primeiro filme num grande ecrã, estávamos em 1990, eu era um grande fã das Tartarugas Ninja e se bem me lembro foi o meu tio que me levou.

Como é óbvio ficam para trás várias dezenas de filmes, uns bons (Jurassic Park, Men In Black, The Matrix), outros maus (Charlie’s Angels, The Hunted) e outros vistos porque “o grupo” ia ver (The Blair Witch Project). Ficam também para trás muitas recordações. Competições de quem-consegue-meter-mais-pipocas-na-boca; idas ao cinema onde o filme era o que menos importava, só a companhia; um Nokia 3310 perdido entre os bancos que nunca mais apareceu; uma seca do caraças na fila para o Titanic e quando chega à minha vez, estava lotação esgotada (a realidade é que não ultrapassei o trauma e até hoje nunca vi o filme do início ao fim).

Mas como tudo tem um começo e um fim, o agora ZON Lusomundo Vilamoura, tem até Quarta-feira em exibição The Proposal. Não há “Brevemente” e as portas fecham definitivamente a 2 de Setembro. Eu posso dizer que acabo este ciclo em beleza, o último filme lá visto foi o excelente Up. Um adeus sentido.



2
May 09

Trailer de District 9

District 9 foi durante algum tempo visto como o nome de código para o filme baseado no videojogo Halo, devido à ligação a Peter Jackson, mas não é e ainda bem. Jackson será apenas o produtor, estando a direcção a cargo Neill Blomkamp. O que faz todo o sentido, uma vez que D9 é uma adaptação da sua curta-metragem Alive In Joburg.

Data de estreia de District 9 aqui no nosso cantinho: 1 de Outubro de 2009.



7
Mar 09

Watchmen

Fui ver Watchmen no dia da sua estreia nacional. Não li a banda desenhada (ou novela gráfica ou como lhe quiserem chamar) e não tinha grande ideia de como iria ser o filme, tirando as noções leves retiradas do trailer. Pela Internet fora falava-se na obra mais fielmente transposta, de todo o sempre, para o grande ecrã.

O inicio do filme é um dos seus melhores momentos, somos introduzidos a um passado alternativo, com muitas das memórias normais misturadas com acontecimentos paralelos… O assassinato de John F. Kennedy, a chegada à lua e a pop art de Andy Warhol são apenas alguns dos exemplos. O desenrolar acaba por ser um pouco lento em alguns momentos, mas felizmente o Rorschach (Jackie Earle Haley) está lá para mantermos o interesse, aliás, ele está lá para roubar o brilho ao Dr. Manhattan (I made a joke), porque Watchmen acaba por ser sinónimo de Rorschach.

Temos um filme bastante denso no que toca a conteúdo, com uma história muito interessante, sem nenhum vilão em especial, sem ser o próprio ser humano. Os super-heróis são retratados como pessoas normais, com tanto de bom como de perverso, cada um com a sua própria visão do mundo. Visualmente também podemos contar com um filme muito acima da média, com um ambiente muito grunge, com bons efeitos especiais e com sequências de luta irrepreensíveis.

Mas Watchmen tem vários pontos que a mim, como simples apreciador de cinema e não fanboy da obra, me deixam de pé atrás… É utilizado gore em excesso, demasiado explícito e por vezes desnecessário, em situações onde não acrescenta nada ao filme. A banda sonora, tão boa mas com alguns enquadramentos simplesmente absurdos, parece-me o canal (mal) escolhido para o comic relief. Aquela cena de sexo softcore ao som do Hallelujah de Leonard Cohen, só dá mesmo para rir.

O final, é um anti-climax do caraças. Não é mau, é bastante interessante do ponto de vista ideológico, mas acaba por ser insípido tendo em conta o desenrolar da acção…

Já agora deixo aqui uma dica aos responsáveis pelo CGI por detrás do Dr. Manhattan. Para a próxima prestem mais atenção aos frames da boca (e ao sincronismo da mesma com o som) do que aos detalhes da piroca massiva do senhor.



13
Feb 09

Slumdog Millionaire

Fui ontem à noite ver o filme Slumdog Millionaire, do realizador Danny Boyle. E quero começar por escrever o seguinte: Oscar para melhor filme e melhor realização, JÁ!

Um jovem está prestes a conseguir aquilo que mais ninguém conseguiu até agora, ganhar o prémio máximo da versão indiana do concurso “Quem quer ser milionário?”, só tem de responder correctamente à última questão. E assim começa este filme.

É um conto de fadas, extremamente realista, que mostra a crueldade dos bairros de lata indianos sem nunca pecar pelo excesso. Aliás, tudo no filme está em doses perfeitamente equilibradas. Alegria, angustia, raiva, esperança. Também compreendo algumas das críticas que tenho lido, principalmente o filme não ser todo falado na lingua nativa. Mas tudo o resto, todos os pormenores que falham, são completamente ofuscados pela grandiosidade dos aspectos positivos. A representação, a banda sonora, a fotografia e a realização e edição.

Vejam o filme de mente fechada e de coração aberto. Ontem faltavam-me as palavras para o descrever, mas hoje tenho várias que posso deixar. Inspirador, cheio de sentimento, cheio de esperança. É um daqueles filmes que nos faz crescer.