Inception

Inception

De vez em quando aparecem filmes cujo argumento mantém-se no pensamento da pessoas dias ou até semanas após o seu visionamento. Inception, é uma dessas brilhantes obras, vinda da mente do não menos brilhante Christopher Nolan, o homem que em meia dúzia de filmes dirigidos e realizados tem meia dúzia de obras primas.

O filme tem como tema os sonhos, e a capacidade de roubar ou implantar informação durante esses mesmos sonhos. Como actor principal temos Leonardo DiCaprio, com uma prestação boa mas longe de ser o único a brilhar, uma vez que toda o elenco é de luxo: Joseph Gordon-Levitt (yap, o miúdo do 500 Days of Summer), Ellen Page (yap, a miúda do Juno), Marion Cotillard, Tom Hardy e Ken Watanabe.

Podia falar também da excelente banda sonora, mas nem vou perder tempo com isso, vou passar ao mais importante, o argumento. Este é possivelmente o melhor argumento original que o cinema já viu após o The Matrix, ou seja, desde há aproximadamente 11 anos. Complexo, com várias camadas de profundidade, daqueles filmes que têm de ser vistos pelo menos duas vezes para não escapar nada. Proporciona daquelas dores de cabeça positivas, 148 minutos de informação non-stop a ser digerida e processada. Na minha terra denomina-se de mindfuck movie.

Inception é demasiado hollywoodesco para ser indy e demasiado inteligente para um blockbuster de verão (arrasa por completo com as normas de brainless action, sim, esta foi para ti Michael Bay). Christopher Nolan criou aquele que será o ponto de comparação a nível de ficção cientifica nesta década (tal como Blade Runner marcou os anos 80).

S P O I L E R S
(a partir daqui o texto contém dados sobre o argumento)

O final do filme foi deixado em aberto com o objectivo de nos deixar a sonhar sobre toda a informação disponibilizada. Inicialmente saí do cinema a pensar que o movimento do pião no final não foi tão perfeito como das outras vezes que ele o colocou a rodar, transmitindo a ideia de que acabaria por cair, ou seja, que Cobb se encontrava na realidade.

Depois comecei a pensar que algo me estava a falhar no que toca aos níveis e ao limbo, porque havia situações em que alguns personagens saiam do limbo e passavam para o nível anterior e outros ao morrer passavam automaticamente para a realidade, o que acabava por ser contraditório. Sendo assim o Cobb estaria ainda no nível anterior ao limbo e a Mal estaria na realidade. Mas, depois pus-me a pensar e a Mal se estivesse na realidade teria arranjado forma de, ou voltar a ir ter com o Cobb no seu sonho (não como projecções em vários níveis, obviamente) ou de lhe dar um “empurrão”.

Seguidamente lembrei-me que o totem do pião era o totem da Mal, ou seja, o Cobb tinha outro totem, que não nos foi mostrado. Porque aquele totem já era sobejamente reconhecido e podia ser facilmente forjado, e ele explicou no próprio filme que o totem devia ser único e apenas conhecido pelo dono. Foi então que dei de caras com esta teoria muito bem pensada e que mostra qual poderá ser o verdadeiro totem do Cobb.

Até ver o filme outra vez, acho que vou aceitar esta última como a real. Embora continue a não ter muita lógica aquela cena final, onde as crianças têm exactamente a mesma idade e roupa que nas recordações e onde não está presente a avó. Por outro lado o avô que estava em Paris, voou para os EUA para o receber? Não faz muito sentido, só num sonho.

Já agora partilho aqui esta dissecação de Inception, com 6 interpretações bem interessantes do final e 5 hipotéticas falhas do guião.

Estejam à vontade para partilhar as vossas teorias nos comentários, mas sempre que o fizerem coloquem uma referência à existência de spoilers.

Amena cavaqueira, 3 comentários!

  1. “Não faz muito sentido, só num sonho.”

    lol Nolan put an inception on you… =P

  2. ** SPOILERS **

    Eu acho que no final ele ainda continuava num sonho, pelo simples motivo de que a realidade a que ele chegou eram imagens que já tinhamos visto dele em sonhos passados. Provavelmente não conseguiu sair do limbo com o japonês. Ou será que todo o filme era um sonho? We’ll never know…

  3. Filipe Rodrigues

    Tiago, e porque não falar no fantástico “Hard Candy” com a Ellen Page? ;)
    Bom post, obrigado pelos links.

    ***SPOILERS***
    Acerca ainda da banda sonora, há que notar um pormenor delicioso que pode ser importante: A música “Non, je ne regrette rien”, usada para sincronização de saida dos sonhos, é tocado no filme em forma lenta — e há que lembrar que cada sonho dentro de um sonho corresponde a uma passagem de tempo mais lenta. Ver: http://www.youtube.com/watch?v=UVkQ0C4qDvM

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