Mais uma história com a qual aprender, onde eu sou basicamente narrador.
Há aproximadamente dois anos atrás, algures na Universidade do Algarve, três ou quatro pessoas conversavam enquanto estudavam, sobre uma ideia de negócio que podia ser rentável no futuro. Eu não era nenhuma dessas pessoas, nem nunca mais essas pessoas falaram sobre isso entre elas.
Dois anos passaram e há pouco mais de um mês atrás, durante o ENEA, houve uma palestra sobre o 5º Poliempreende, um concurso com o objectivo de promover o empreendorismo nas instituições do ensino superior politécnico. Ao ter conhecimento do mesmo, uma das pessoas supracitadas achou interessante avançar com um projecto e participar no concurso. Passados alguns dias e alguns planos de acção, a lembrança da tal conversa veio à memória e rapidamente decidiu avançar com essa ideia de negócio. Essa pessoa achou que para o projecto seguir em frente ia necessitar de apoio, de alguém com quem trabalhar, alguém de confiança. Foi aí que entrou uma segunda pessoa, e foi em seguida que eu fui contactado.
Passaram-se aproximadamente três semanas de trabalho, durante as quais entrámos em contacto com professores, com empresas e com a entidade responsável a nível regional (CRIA), para preencher o plano de negócio que nos era pedido. Cerca de 17 páginas onde se referia o produto, potenciais clientes e concorrentes, vantagens e desvantagens, oportunidades e ameaças; onde se efectuava um plano de marketing; se verificava a exequibilidade e se justificava todo um plano de investimentos.
Participámos, fomos questionados pelo júri regional e acabámos por vencer. Ficámos contente, como é óbvio, mas também foi aí que começaram os problemas…
Uma das pessoas da conversa inicial ficou então bastante chateada por se ter utilizado a tal ideia, uma vez que, pelo que me apercebi, ela achava essa ideia sua por direito. Não sei, não estava presente, apenas refiro a versão de ambas as partes. Entretanto fomos a Castelo Branco apresentar o projecto junto do júri nacional, onde tentámos dar o nosso melhor, uma vez que mais do que a nossa própria imagem, nós estávamos a representar a Escola Superior de Tecnologia. Correu tudo bem.
Mas quando voltámos notava-se facilmente que algo não estava certo, pelo menos tendo em conta as reacções de alguns, as conversas e olhares. Chegaram-me aos ouvidos relatos de desacreditação, de roubo de ideias, de falta de mérito, e como quem conta um conto acrescenta um ponto, parece que para alguns já roubámos o projecto feito. Acabo por me sentir triste com isto tudo, não estava à espera que as coisas se desenrolassem desta forma, mas acima de tudo, o que mais me custou foi ver que pela frente continuavam os mesmos sorrisos amarelos.








