Vi coisas como o apelo a que os pais façam uma vistoria completa aos computadores dos filhos para saber se têm músicas e programas ilegais. Vi a ameaça velada: nos Estados Unidos houve pais que passaram a noite na cadeia porque os filhos tinham música ilegalmente conseguida. Mas alguém está à espera que isso aconteça por cá? Já vejo os títulos: “José da Silva detido”; “O alegado criminoso não sabia que o filho não tinha pago três faixas do Tony Carreira”; “Preso tinha ‘Dois Amores’ no disco rígido”.
Quando na semana transacta passou em algumas telejornais nacionais um artigo sobre a pirataria informática, principalmente de música, visto ter servido principalmente para publicitar o portal Pro Music, a minha única reacção foi rir.
Foi uma atitude à lá RIAA, com muita falta de informação e principalmente, cheia de arrogância e ameaças. Já não estamos no século XX, as leis do jogo mudaram, grande parte das pessoas já não querem CDs, existem formatos muito mais interessantes, que permitem ter muito mais músicas por CD, que permite ouvir músicas no PC, no leitor portátil, no carro, sem ter de andar com um único CD atrás. Estamos na era digital, do formato MP3, não andem a mandar postas de pescada e ameaças, mexam-se!
Como é que a Apple se apercebeu disso já há dois anos com o lançamento do iTunes e por cá ainda anda tudo à cabeçada com a parede? Já foram vendidas mais de 1 Bilião de músicas, a 0,99€ cada uma.
Agora tentar vender um formato ultrapassado, que com as protecções que andam aí nem sequer corre no PC (no meu caso é onde tenho o melhor sistema de som e onde gosto de ouvir música), nem o posso utilizar no meu leitor portátil, de que é que me serve? As coisas têm de ser encaradas como elas são, a indústria perdeu muito bom dinheiro nestes últimos anos, mas não só por causa da pirataria, daí devem ter advido no máximo uns 10%. Estamos sem poder de compra, em recessão económica e a caminhar a passos largos para uma depressão, não se dão aumentos significativos nos salários há anos, é óbvio que as pessoas vão cortar no supérfluo e agora já quase inútil CD.
Leiam o artigo de opinião de Lourenço Medeiros, o qual está citado no início, parece que nem todos os jornalistas são tão ignorantes como alguns artigos e entrevistas levam a crer, ou querem e são obrigados a fazer crer.